Fábrica de talentos Antídoto

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quarta-feira, 18 de março de 2009

O Caso Paula Oliveira

Por Jhonatas Silva Franco
Email:
jhonatas_franco@hotmail.com

O Caso Paula Oliveira – que diz respeito à garota de 26 anos que, segundo a própria, fora torturada por skinheads, na Suiça, fato contestado e, posteriormente, desmentido – foi considerado por muitos jornalistas um dos maiores vexames da nossa imprensa. "Como puderam confiar apenas no depoimento da moça?" e "Por que não ouviram outras fontes, procuraram novas informações?" foram perguntas recorrentes. Vários profissionais fizeram seu mea-culpa, alguns falsamente, e agora temos que conviver com mais essa gafe jornalístico-tupiniquim.

O que não foi dito, porém, é que a história era, por si só, verossímil: tinha argumentos plausíveis, fotos impactantes e uma agoniante -- e proposital -- escassez de informações precisas. O governo e a polícia suíços não divulgaram boletins informativos, não deram informações a jornalistas, não explicaram à população o que, de fato, havia acontecido. Em suma: ficamos às cegas.

O espectador esperava ávido por informações, e a imprensa representa -- ou deveria representar -- o afã da população. O povo quer dar sua opinião, participar das investigações. O Frenesi Digital (dito por Guilherme Fiuza no Observatório da Imprensa do dia 03/03/09) já acontecia voraz, com notícias mil circulando na Internet, todas -- sim, todas -- imprecisas e incompletas. Se a imprensa brasileira não se manifestasse, seria tachada de omissa e despreocupada. Como o fez, ficou sendo a imediatista e despreparada. Era preciso tomar uma decisão. Não seria suficiente dizer que "a princípio, aparentemente suspeita-se que Paula Oliveira teria sido vítima de tortura". Não convenceria. Não aproximaria o leitor. Não venderia.

O impacto da notícia foi muito mais forte do que a vontade de destrinchá-la e isso é inadmissível em qualquer mídia do mundo. Os jornalistas brasileiros cometeram uma falha e, em partes, pediram desculpas por isso. O que tem de haver agora é uma reflexão sobre os métodos de pesquisa, apuração, abordagem e divulgação de reportagens. Reflexão, não retaliação. Reflexão, não auto-flagelação. Sem masoquismo.

A imprensa não pode se tornar uma espécie de "classe política", aquela que se omite, que é prolixa e evasiva nas questões mais relevantes para os receptores de tais mensagens. Não pode se abalar drasticamente por um equívoco cometido. Não seja tão pessimista, nobre leitor. Nossa imprensa vai muito bem, obrigado.

2 comentários:

  1. Parabéns Jhonatas. Maravilhosa matéria, bem escrita, bem fundamentada. Continue assim!
    Beijos
    Carol

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  2. Muito obrigado! Mandarei outras sempre que for possível.

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