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O Caso Paula Oliveira – que diz respeito à garota de 26 anos que, segundo a própria, fora torturada por skinheads, na Suiça, fato contestado e, posteriormente, desmentido – foi considerado por muitos jornalistas um dos maiores vexames da nossa imprensa. "Como puderam confiar apenas no depoimento da moça?" e "Por que não ouviram outras fontes, procuraram novas informações?" foram perguntas recorrentes. Vários profissionais fizeram seu mea-culpa, alguns falsamente, e agora temos que conviver com mais essa gafe jornalístico-tupiniquim.
O que não foi dito, porém, é que a história era, por si só, verossímil: tinha argumentos plausíveis, fotos impactantes e uma agoniante -- e proposital -- escassez de informações precisas. O governo e a polícia suíços não divulgaram boletins informativos, não deram informações a jornalistas, não explicaram à população o que, de fato, havia acontecido. Em suma: ficamos às cegas.
O espectador esperava ávido por informações, e a imprensa representa -- ou deveria representar -- o afã da população. O povo quer dar sua opinião, participar das investigações. O Frenesi Digital (dito por Guilherme Fiuza no Observatório da Imprensa do dia 03/03/09) já acontecia voraz, com notícias mil circulando na Internet, todas -- sim, todas -- imprecisas e incompletas. Se a imprensa brasileira não se manifestasse, seria tachada de omissa e despreocupada. Como o fez, ficou sendo a imediatista e despreparada. Era preciso tomar uma decisão. Não seria suficiente dizer que "a princípio, aparentemente suspeita-se que Paula Oliveira teria sido vítima de tortura". Não convenceria. Não aproximaria o leitor. Não venderia.


Parabéns Jhonatas. Maravilhosa matéria, bem escrita, bem fundamentada. Continue assim!
ResponderExcluirBeijos
Carol
Muito obrigado! Mandarei outras sempre que for possível.
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